terça-feira, 1 de maio de 2012

A cota que te cabe nesse apartheid

Brasília: O Supremo Tribunal Federal (STF) aprovou nesta quinta-feira (26.04.12) a constitucionalidade do sistema de cotas raciais adotado pelas universidades públicas brasileiras.

Heidelberg, Alemanha, Abril de 2012.
Por Sergio Ulhoa Dani

A ciência genética há muito tempo concluiu que o conceito de raça humana é errado, arbitrário e inútil. As diferenças genéticas entre as pessoas e os povos são pequenas e fluidas demais para justificar as divisões de raças. Mas, existem os racistas, os que não acreditam em ciência, e estes também fazem parte da realidade social.

Os juízes da mais alta corte do Brasil, por exemplo, não ligam para a genética ou a inutilidade do racismo. Para eles o que vale é a psicologia que ensina, quando há um conflito entre crença e realidade, o comportamento humano orienta-se pela crença. Esse mês de abril de 2012, os magistrados decidiram por unanimidade que as universidades públicas brasileiras devem oferecer cotas raciais. Acreditam que as cotas raciais podem corrigir certas distorções sociais causadas pelo vício que a sociedade brasileira racista e escravagista tem, de discriminar as pessoas de acordo com sua aparência física ou origem étnica ou social. Entre essas distorções, estaria o número relativamente menor de negros entre os estudantes das universidades, comparado ao número de brancos, por exemplo. Citam-se também as evidências complementares: mais negros relativamente aos brancos na população carcerária, maioria negra entre os 10% mais pobres, etc.

Louvável a intenção dos juízes, mas qual é o efeito prático do seu gesto de fé de estatura isabelana, aos 124 anos da Lei Áurea? Como conciliar a crença e a intenção com a realidade? Como garantir a função social da universidade pública brasileira, agora em ritmo de apartheid?

Os conflitos entre a realidade e a crença são inevitáveis. O primeiro deles é o da afirmação racial, condição que dá ao candidato o direito de disputar uma vaga de cota racial no processo de admissão a uma universidade pública. A população brasileira é das mais mestiças do mundo, senão a mais mestiça. Estudos genéticos conduzidos por cientistas de diversas nacionalidades, crenças e etnias comfirmam a contribuição genética equivalente de diversas populações européias, ameríndias, africanas e, em menor proporção, asiáticas para a formação da população brasileira. A cor da pele, uma das características externas mais propensas à discriminação, tem um poder discriminatório genético relativamente baixo. Por exemplo, diversos estudos mostram que grande parte dos brasileiros de pele negra possui proporção mais elevada de genes europeus ou ameríndios, que africanos. E muitos indivíduos de pele branca possuem uma proporção maior de genes de origem africana, que européia. Em outras palavras, “todo negro é descendente de africanos, mas nem todo descendente de africano é negro”.

Os testes de DNA estão disponíveis para qualquer cidadão interessado em conhecer a sua constituição genética. Essa realidade entra em conflito com a política do novo apartheid universitário brasileiro. Qualquer cidadão brasileiro poderia argumentar, com base nos genes que carrega, que pertence a uma determinada “raça”, portanto teria direito a disputar uma cota racial. Os mais crentes poderiam até argumentar que pertencem a “diversas raças”, ou à “raça mestiça”. Para contornar a confusão que se formou, adota-se a “auto-afirmação” como único critério válido para a afirmação racial, dispensando a confirmação dos testes genéticos. A crença, em lugar da ciência. Quem se declara “negro” ou “índio”, ou representante de outra raça qualquer pode disputar uma vaga da cota racial com seus “iguais” (por “iguais” entendam-se os indivíduos auto-afirmados “minorias raciais menos favorecidas”, igualados na discriminação racial de que são vítimas).

Para evitar abusos, as Universidades teriam que instituir comitês ou repartições administrativas para emitir “atos de confirmação racial”. Esses atos de estatura nazista ou inquisicionista anulariam o princípio da auto-afirmação, base das "políticas afirmativas", então a simples existência desses comitês discriminatórios seria um crime de “racismo”.

Fechando os olhos para a genética e para os abusos de toda sorte, teremos então disputas por vagas de dois tipos ou cotas para um mesmo curso superior oferecido pela universidade pública: a “cota regular” e a “cota racial”. Partindo do princípio que os disputantes conhecem e aceitam essas regras não haveria, em princípio, problema na esfera administrativa dos concursos. O problema é de natureza social, e diz respeito ao que alguns autores chamam de “discriminação reversa”, outros chamam de “discriminação compensatória” e eu especifico como a discriminação dos “excedentes qualificados”. Esses novos discriminados são os candidatos que demonstram desempenho suficiente nos testes de admissão, mas não são admitidos por causa do regime de apartheid racial vigente. Uma solução para essa forma de discriminação seria estabelecer o critério eliminatório, em vez do classificatório, para ingresso ao estudo superior. Esse critério deveria ser válido para os dois tipos de cotas. Pelo critério eliminatório, candidatos que não obtêm o mínimo de desempenho nos testes de admissão - por exemplo 60% das respostas corretas - não seriam aprovados, ainda que houvesse vagas disponíveis para serem preenchidas na respectiva cota.

Mas, o critério eliminatório entra em conflito com o sistema das cotas raciais, pois se as “minorias raciais menos favorecidas” fossem tão preparadas como os “concorrentes regulares”, elas teriam um desempenho competitivo nos testes de admissão e não haveria necessidade das cotas raciais. Isso significa que, na vigência das cotas raciais, sempre haverá “excedentes qualificados”. Ora, negar uma vaga no ensino superior público e gratuito para quem é qualificado independente da sua “raça” não é um expediente aceitável em uma sociedade justa, democrática, solidária e livre. Uma solução seria fazer o “aproveitamento dos excedentes”, criando mais vagas nas universidades. Solução semelhante foi adotada principalmente a partir dos anos 60 no Brasil, visando atender às demandas da classe média do “milagre econômico” gerando uma inflação de vagas, queda na qualidade do corpo discente e deterioração do ensino superior, como um todo. Um dos resultados desse processo de massificação é que a demanda por um ensino superior de qualidade não é mais atendida pelo setor público.

A qualidade de uma escola é definida em grande parte pela qualidade dos corpos discente e docente. Mas, criar e preparar os melhores custa muita dedicação, paciência, constância, tempo e alocação prioritária de valores e recursos geralmente escassos. O processo de seleção para admissão nas universidades públicas é simplesmente o funil que seleciona e certifica a melhor adequação para o ensino superior, geralmente com base no desempenho em testes de admissão. Esse processo não tem o poder de preparar os indivíduos. Quem prepara os indivíduos são os profissionais dos ensinos fundamental e médio. A dura realidade que a decisão dos supremos magistrados brasileiros não consegue ocultar é que os ensinos fundamental e médio vão de mal a pior no Brasil. Em vez de darem respostas honestas e soluções eficientes, os magistrados legalizam um tipo de “política afirmativa” que já faz aprovação automática nos ensinos fundamental e médio, e distribui bônus e cotas raciais para ingresso ao ensino superior (algumas universidades federais adotam o sistema de bônus, acrescentando à nota dos alunos oriundos de escolas públicas 10% ou 15%). Não dão importância aos estudos conduzidos em vários países, que indicam pouco ou nenhum efeito das políticas afirmativas raciais nos níveis fundamental e médio, e uma deterioração no nível superior, muitas vezes justificada ou confundida com o “aumento da diversidade”.

Trata-se de uma crise de valores, em que menos vale mais. Expedientes como a aprovação automática, a distribuição de bônus e as cotas raciais não resolvem as injustiças sistêmicas cometidas contra milhões de crianças brasileiras de todas as cores, classes, credos e culturas, discriminadas pela negligência do Estado onde ele deveria atuar, e a insuficiência da iniciativa privada onde ela não precisaria atuar. E tampouco resolve o problema da carência de profissionais qualificados de todos os níveis e extensões e qualidades, sem os quais não existe bem-estar sócio-ambiental, diversidade e evolução cultural.

Como toda política de apartheid, as cotas raciais atendem aos interesses de uma minoria privilegiada e bem organizada no presente, sem atender às demandas da maioria desfavorecida, difusa e discriminada sem se dar conta. Mas, à cota dada não se abre a boca.

sábado, 28 de abril de 2012

Programm Rückkehrende Fachkräfte

Rückkehrende Fachkräfte die in Deutschland ihre berufliche Qualifikation erworben haben, spielen für ihre Herkunftsländer eine wichtige Rolle. Sie tragen insbesondere durch ihre erfolgreiche berufliche Integration nachhaltig zur wirtschaftlichen, technologischen und gesellschaftlichen Entwicklung ihrer Länder bei. Sie verfügen über aktuelles Fachwissen, internationale Kontakte, interkulturelle Kompetenz und sind mehrsprachig.

Dieses Potenzial greift das entwicklungspolitisch orientierte Programm Rückkehrende Fachkräfte auf. Es unterstützt gezielt die berufliche Integration von rückkehrinteressierten Hochschulabsolventen und berufserfahrenen Fachkräften aus Entwicklungs-, Schwellen- und Transformationsländern, die sich in Deutschland beruflich qualifiziert haben.

Im Vordergrund steht dabei die Vermittlung von Fachpersonal in entwicklungspolitisch bedeutsame Bereiche. Neben Vermittlungs- und Beratungsdienstleistungen bietet das Programm rückkehrinteressierten Fachkräften auch finanzielle Förderung an. Arbeitgeber erhalten über das Programm Serviceleistungen wie beispielsweise die Unterstützung bei der Bewerbersuche.

An folgenden Ansätzen orientiert sich das Programmangebot:

. Internationale Migration als Faktor der Entwicklung fördern
. Nachhaltiger Know-how Transfer durch berufliche Integration Rückkehrender Fachkräfte fördern
. Win-Win Situation durch Rückkehrende Fachkräfte als Brückenbauer internationaler Wirtschafts- und Entwicklungszusammenarbeit

Das Programm Rückkehrende Fachkräfte wird vom Centrum für internationale Migration und Entwicklung (CIM) im Auftrag des Bundesministeriums für Wirtschaftliche Zusammenarbeit und Entwicklung (BMZ) durchgeführt. CIM ist eine Arbeitsgemeinschaft der Deutschen Gesellschaft für internationale Zusammenarbeit (GIZ) und der Zentralen Auslands- und Fachvermittlung (ZAV) der Bundesagentur für Arbeit (BA).

Ihre Ansprechpartner im Programm Rückkehrende Fachkräfte
Wenn Sie Fragen zu den Programmangeboten oder zum Antragsverfahren haben, wenden Sie sich bitte an:

Centrum für internationale Migration und Entwicklung (CIM)
Programm Rückkehrende Fachkräfte
Mendelssohnstr. 75-77
60325 Frankfurt am Main
Deutschland
Tel.: +49 (0)69 719121-153
Fax: +49 (0)69 719121-81
E-Mail: return@cimonline.de
Internet: www.returning-experts.de | www.cimonline.de
Sprechzeiten: Mo.-Fr.: 9-16Uhr

domingo, 15 de abril de 2012

Construindo o saber da Ciência

Sergio U. Dani, Heidelberg, Abril de 2012.


José Eymard Pittella é um cientista atento para a função social da ciência. Em “Construindo o Saber da Ciência” (*) ele revela a experiência de um dos próprios construtores dessa obra sempre viva e inacabada. A construção do saber da ciência é definida como uma atividade humana sujeita às influências fisiológicas, psicológicas, individuais e sociais. Na abertura, apoia-se na filosofia de Vico e Dostoievski para definir o problema central dos limites da consciência humana. No capítulo dedicado aos fundamentos da obra, Pittella examina a criatividade humana, suas origens e natureza. Nos capítulos seguintes, conduz o leitor pelos andaimes e os bastidores da construção. Quem produz o conhecimento? Quem financia a pesquisa? Quais são as razões, a ética e os efeitos do fenômeno da autoria múltipla? Quem avalia e decide o que será publicado, de tudo o que é produzido? Quem decide quem receberá um Prêmio Nobel, e baseado em quais critérios? Quem tem acesso ao conhecimento científico e tecnológico? Quais as consequências do saber científico e tecnológico para a sociedade? Existe justiça, liberdade e solidariedade na construção do saber da ciência? Pittella trata destas e outras questões de maneira responsável e bem informada, deixando para o leitor tirar suas próprias conclusões. O conteúdo é ricamente referenciado em estudos e fatos históricos cuidadosamente selecionados pelo autor. Recomenda-se para todas as pessoas interessadas em entender como se constrói o saber da ciência sobre o qual tanto se constrói como se destrói o mundo.


(*) Pittella, JE. Construindo o Saber da Ciência. Belo Horizonte, Editora COOPMED, 2012. O livro custa R$40 e pode ser adquirido pela loja virtual da Coopmed: http://www.virtual.coopmed.com.br/


Sobre o autor: José Eymard Pittella foi professor de neuropatologia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais de 1970 a 2001. É internacionalmente conhecido pelas suas contribuições científicas para o conhecimento das manifestações neuropatológicas de doenças infecto-parasitárias, especialmente a Doença de Chagas. Atualmente trabalha em projetos de pesquisa e extensão na área de neuropatologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo.

sábado, 31 de março de 2012

Ildo Sauer denuncia como José Dirceu entregou o Pré-Sal para Eike Batista

"Quem executa isso é a ANP [Agência Nacional do Petróleo], comandada pelo PCdoB, e a mão de ferro na ANP era a Casa Civil".


Classificado em Brasil - O Petróleo Tem Que Ser Nosso!
Crédito: ILDO SAUER
A maior entrega da história do Brasil


Considerado um dos maiores especialistas em energia do país, ex-diretor da Petrobras no primeiro governo Lula, Sauer conta como foi descoberto o Pré-Sal e denuncia o lobby feito por José Dirceu para entregar a Eike Batista a maior parte das reservas.

domingo, 11 de março de 2012

UNICEF: Mehr als 300 Millionen Minderjährige leben weltweit in Slums

Dienstag, 28. Februar 2012


New York – Mehr als 300 Millionen Kinder und Jugendliche wachsen nach UN-Angaben weltweit in „überbevölkerten Slums“ auf. Sie lebten meist „ohne ausreichenden Zugang zu sauberem Wasser, sanitären Einrichtungen, Elektrizität, Gesundheitsversorgung oder Schulen“, erklärte heute das UN-Kinderhilfswerk UNICEF. Bis zu 50 Prozent aller Neugeborenen in den rasch wachsenden Städten und Metropolen der Entwicklungs- und Schwellenländer seien zudem nicht behördlich registriert. Während diese Städte weiter wüchsen, würden die Bedürfnisse der dortigen Kinder systematisch übersehen. „Städte werden für immer mehr Kinder zu Orten der Armut“, erklärte Christian Schneider, Geschäftsführer von UNICEF Deutschland. „Nur wenn Millionen Kinder in Slums und heruntergekommenen Vierteln nicht länger ausgeschlossen werden, können sich Städte sozial und wirtschaftlich gerecht entwickeln“, ergänzte er. Rund eine Milliarde junger Menschen weltweit lebt dem Bericht zufolge in Städten. Dies sei fast die Hälfte aller Minderjährigen. Die Marke von 50 Prozent dürfte demnach bereits in wenigen Jahren überschritten werden. Die in den Städten der Welt geborenen Kinder stellten derzeit schon einen Anteil von rund 60 Prozent des städtischen Bevölkerungswachstums. © afp/aerzteblatt.de

Sparbemühungen Brasiliens trifft Gesundheitssystem

Freitag, 24. Februar 2012
Sao Paulo – Brasiliens öffentliches Gesundheitssystem hat mit monatelangeb Wartezeiten, maroden Krankenhäusern und fehlendem Personal zu kämpfen. Jetzt will die Regierung von Präsidentin Dilma Rousseff auch noch umgerechnet 2,4 Milliarden Euro Haushaltsgelder für die Gesundheit streichen. Unter Bürgern breitet sich Unmut aus. Ein Volksbegehren über die Neuregelung der öffentlichen Finanzierung des Gesundheitswesens droht.


Zwar habe es in den letzten Jahrzehnten einige wichtige und spürbare Fortschritte im öffentlichen Gesundheitssystem gegeben, betont der Generalsekretär der Bischofskonferenz, Leonardo Steiner. Trotzdem müsse man sagen, dass es um das öffentliche Gesundheitssystem „nicht gut“ stehe.


Die angekündigten Haushaltskürzungen der Regierung würden Hoffnungen der Bevölkerung enttäuschen, so Steiner. Der Generalsekretär bezieht sich auf einen Verfassungszusatz mit der Nummer 29, der seit mehr als einem Jahrzehnt durch die Diskussion über die staatliche Finanzierung der Gesundheit geistert. Er soll den Beitrag der Regierung sowie dessen jährliche Steigerungen festlegen. Mitte Januar hatte Rousseff einer Neuregelung zugestimmt, dabei aber viele ursprüngliche Ideen des Verfassungszusatzes 29 gekappt.


Rousseff will sich nicht auf konkrete Haushaltszahlen für die Gesundheit festlegen lassen. Dabei existieren diese schon lange für Kommunen und Länder. Zwölf Prozent aller Steuereinnahmen müssen die Länder in das Gesundheitssystem investieren, die Kommunen sogar 15 Prozent. Für den Bundeszuschuss verlangen Nichtregierungsorganisationen aus dem Gesundheitssektor, Ärzteverbände und Brasiliens Anwaltskammer eine Festschreibung auf zehn Prozent aller Steuereinnahmen. Dafür wollen sie jetzt Unterschriften sammeln. Mindestens 1,5 Millionen Bürger müssten ihre Unterstützung erklären, um eine entsprechende Gesetzesinitiative in den Kongress einbringen zu können.


Kritik kommt auch vom Regierungsorgan „Conselho Nacional de Saude“, das für die Verwaltung des öffentlichen Gesundheitssystems zuständig ist. Es fordert die Präsidentin in einem öffentlichen Schreiben auf, ihre Ende 2010 gemachten Wahlversprechen einzulösen und den Gesundheitsbereich zur Priorität zu erklären. Man sei entsetzt darüber, dass die Regierung etwa 288,5 Milliarden Euro des Haushaltes 2012 für die Refinanzierung von Schulden zahle – etwa neun Mal so viel wie für das Gesundheitssystem.


Gesundheitsminister Alexandre Padilha wies die Kritik zurück. Immerhin enthielten die bewilligten 31,7 Milliarden Euro eine Steigerung von 17 Prozent gegenüber 2011. „2012 werden wir das größte Gesundheits-Budget aller Zeiten haben“, so der Minister. Nun müsse man mit den vorhandenen Mitteln etwas bewirken. Ähnliches haben sich auch die Bürgerinitiativen vorgenommen, die in diesen Tagen ihre Unterschriftensammlung für ihr Volksbegehren starten. Möglicherweise steht es künftig nicht mehr nur schlecht um die Gesundheit, sondern auch um Dilma Rousseff. © kna/aerzteblatt.de

sábado, 10 de março de 2012

A enganosa sedução das soluções verdes

Por Michael Rosenwald, da Bloomberg Businessweek

Fonte: Valor Econômico 05/03/2012
http://www.valor.com.br/cultura/2554102/enganosa-seducao-das-solucoes-verdes

Em "The Conundrum", David Owen cataloga as hipocrisias e paradoxos da vida ecologicamente correta. Suas credenciais progressistas são robustas. Na década de 1970, mudou-se com a mulher para um lugar, em Manhattan, que descreve como uma "comunidade ambientalista utópica", porque sem uma secadora de roupas, um automóvel ou mesmo um gramado. A "pegada" ecológica deixada pelos dois era minúscula. Owen, que escreve frequentemente sobre questões ambientais para a "New Yorker", já afirmou que um lado positivo da crise econômica mundial é que diminuiu as emissões de gases de efeito estufa. O fato de ele escrever também para a "Golf Digest" pode ser desconcertante, ainda que não o desqualifique.


As repreensões em "The Conundrum" parecem em sua maioria direcionadas aos que dirigem carros híbridos e usam lâmpadas halógenas, convencidos de que tais práticas colocarão o mundo no caminho da salvação verde. O livro traz notícias desanimadoras: a maioria dos produtos supostamente sustentáveis e as estratégias de vida ecologicamente corretas é "irrelevante ou agrava os problemas reais".


A lógica de Owen é apoiada em um princípio econômico conhecido como o "efeito rebote": os avanços na eficiência energética reduzem o custo de uma determinada atividade, que leva as pessoas a se engajarem mais nessa atividade, cancelando não só as economias mas também os benefícios ambientais. Owen mantém em sua escrivaninha uma lata de alumínio da década de 1940 que pesa cinco vezes mais que uma lata atual da cerveja Budweiser. Os ganhos de eficiência tornaram a produção das latas de cerveja mais barata, além do transporte e seu descarte. O custo de se tomar uma cerveja em lata caiu tanto que, hoje, mais pessoas podem fazer isso, o que implica um consumo maior de alumínio, e não menor.


Não leva muito tempo para ele estabelecer a falácia do Prius: "a crença de que mudar para um modo de transporte ostensivamente mais eficiente transforma a própria mobilidade em um ponto ambiental positivo". Estatísticas citadas por Owen mostram que o consumo de gasolina sobe, na medida em que medidas de governo fazem crescer a eficiência do combustível. As pessoas simplesmente passam a usar mais seus automóveis. Ele também critica as faixas de trânsito reservadas a veículos com mais passageiros, os sistemas de controle de tráfego e até mesmo os aplicativos de "smartphones" que ajudam a encontrar uma vaga em um estacionamento, pois são "contraproducentes, do ponto de vista ambiental, por deixarem as pessoas ainda mais felizes com seus carros do que já eram".


"The Conundrum" está repleto de outros dilemas. Os aparelhos de ar-condicionado estão mais eficientes e baratos; então, mais residências hoje possuem aparelhos de ar-condicionado. Quanto mais baratas as lâmpadas halógenas ficam, mais elas são deixadas acesas. Os aviões nunca foram tão econômicos, do ponto de vista do consumo de combustíveis, e tão rápidos; desse modo, fica mais barato fazer viagens a distâncias mais longas. Owen não hesita em questionar até mesmo o princípio mais sagrado do estilo de vida ecológico livre de culpas: o consumo de comida local e orgânica. Consumidores bem intencionados dirigem minivans por longas distâncias para comprar pequenas quantidades de comida orgânica em mercados supridos por fornecedores que trazem seus produtos orgânicos em caminhões que saem de fazendas localizadas bem além dos subúrbios. "Se todos os gêneros alimentícios do mundo viajassem da fazenda para o garfo em minivans, com dois sacos de cada vez, já teríamos exaurido os recursos do planeta há muito tempo", sentencia Owen.


Este é um livro, curto, que você não consegue parar de ler até o fim, e pode ser lido em poucas horas - o que torna pequeno seu impacto ecológico. Até mesmo o cliente mais consciente da Whole Foods verá sua pegada ecológica supostamente pequena aumentar. Os problemas surgem na medida em que o livro passa da descrição para a prescrição; as soluções oferecidas, embora engenhosas, são irrealistas.


Owen gostaria que as pessoas vivessem mais próximas e aponta a cidade de Nova York como modelo. A metrópole é densa, os espaços são restritos, o transporte público é (na maior parte) conveniente e a posse de automóveis é baixa. Mais importante, diz, é que populações e governos deveriam abraçar estratégias que efetivamente forcem a redução do consumo dos recursos naturais. Ele gostaria que, metaforicamente, e talvez de fato, dirigíssemos Fords Modelo T.


"Se pelo menos os automóveis de hoje fossem os Modelos T de 1920", escreve Owen, "quantos quilômetros você acha que iria dirigir a cada ano, e a que distância você moraria do trabalho?" Ele quer impor a frugalidade energética aumentando os impostos sobre os combustíveis e restringindo o consumo. "Iniciativas de eficiência não fazem sentido enquanto estratégia ambiental, a menos que sejam precedidas - e mais que refutadas - por medidas que forcem grandes cortes no uso total de energia."


Owen está certo: o planeta estaria melhor se reduzíssemos o número de rodovias e aumentássemos os impostos sobre o consumo de eletricidade. Mas ele não responde à verdadeira questão: como reverter a busca inexorável da humanidade pelo conforto?


"The Conundrum"
David Owen. Riverhead Books. 261 páginas, US$ 14